Gestão

Controle de estoque para pet shop: o dinheiro parado na prateleira

· Equipe maxyPet

Produtos de pet shop com moedas e uma nota de dinheiro entre eles, calculadora e lupa sobre mesa de madeira, representando estoque parado

Estoque parado é dinheiro que você já pagou e ainda não recebeu de volta. Veja como identificar o que encalha, o que falta na hora errada e como controlar validade sem planilha.

Estoque é o único lugar do pet shop onde o dinheiro fica visível e parado ao mesmo tempo. Cada saco de ração na prateleira é capital que saiu da sua conta e ainda não voltou — e que pode nunca voltar inteiro, se vencer antes de vender.

A maioria dos pet shops descobre que tem problema de estoque de dois jeitos: quando falta o produto que o cliente veio buscar, ou quando acha um lote vencido no fundo da prateleira. Os dois são sintomas do mesmo buraco.

Nem todo produto merece a mesma atenção

Se você tem 400 itens cadastrados, controlar os 400 com o mesmo cuidado é impossível e desnecessário. A regra que resolve é a curva ABC:

ClassePeso no faturamentoQuantos itensComo tratar
A~70%poucos (10-20%)contagem frequente, nunca deixar faltar
B~20%intermediárioconferência periódica
C~10%a maioria dos itensrepor por demanda, sem estoque de segurança

Na prática, num pet shop típico a classe A é ração das marcas líderes, antipulgas e alguns medicamentos. É onde a ruptura dói: cliente que não encontra a ração do cão dele vai comprar em outro lugar, e frequentemente não volta — porque ração é compra recorrente e ele acabou de descobrir outro fornecedor.

Ponto de pedido: parar de comprar por susto

Comprar quando "está acabando" é decisão emocional e sempre erra para um dos lados. O ponto de pedido substitui isso por uma conta simples:

Ponto de pedido = (consumo médio por dia × prazo de entrega em dias) + estoque de segurança

Se você vende 3 sacos por semana de uma ração e o fornecedor entrega em 5 dias úteis, o consumo no prazo de entrega é cerca de 2 sacos. Com estoque de segurança de mais 2, o ponto de pedido é 4: chegou em 4 sacos, faz o pedido.

O estoque de segurança existe porque fornecedor atrasa, e porque a semana do pagamento vende mais que a semana do meio do mês. Quanto mais irregular o fornecedor, maior precisa ser.

Validade: o prejuízo que não aparece no caixa

Ração vencida não gera lançamento negativo em lugar nenhum. Ela simplesmente vai para o lixo, e o prejuízo se dilui no resultado do mês como se fosse margem ruim. Por isso passa despercebido por tanto tempo.

Três práticas que resolvem quase tudo:

PEPS de verdade na prateleira

Primeiro que entra, primeiro que sai. Parece óbvio, mas exige disciplina física: quando chega lote novo, ele vai para trás, não para frente. Repositor com pressa faz o contrário, porque é mais fácil.

Alerta por faixa de dias, não por data

"Vence em 15/03" não ajuda ninguém em novembro. O que ajuda é uma visão que responda "o que vence nos próximos 30, 60, 90 dias" — porque cada faixa pede uma ação diferente: 90 dias é hora de parar de comprar, 30 dias é hora de promover, 15 dias é hora de decidir entre desconto agressivo e perda total.

Decidir cedo é mais barato

Um saco de ração com 60 dias de validade vendido com 15% de desconto ainda dá lucro. O mesmo saco com 10 dias vendido com 40% talvez empate. Vencido, custa o preço cheio de compra. Quanto mais cedo o alerta, mais barata a solução.

Por que a contagem nunca bate

Se você já fez inventário e o número não fechou, as causas costumam ser sempre as mesmas quatro:

  • Consumo interno não baixado. O shampoo usado no banho saiu do estoque de venda e ninguém registrou.
  • Venda sem baixa. Produto entregue no balcão, pagamento no fim do dia, baixa esquecida.
  • Entrada digitada errada. Nota com 12 unidades lançada como 1 caixa.
  • Perda não registrada. Quebra, vencimento, furto — sai fisicamente e continua no sistema.

Os dois primeiros somem sozinhos quando o PDV dá baixa automática na venda e o serviço consome o produto do próprio estoque. O terceiro melhora muito quando a entrada vem do XML da nota fiscal em vez da digitação. O quarto exige processo: um lugar para registrar perda, e o hábito de usá-lo.

Por onde começar sem parar a loja

  1. Liste os 20 itens que mais vendem. São eles que respondem pela maior parte do seu faturamento e onde a falta dói.
  2. Conte só esses, toda semana. Vinte itens levam 15 minutos. Trezentos levam um domingo e por isso nunca acontecem.
  3. Defina ponto de pedido para esses 20. O resto pode continuar no olho por enquanto.
  4. Faça uma varredura de validade agora. Anote tudo que vence em 90 dias e decida o que fazer com cada um.

Quando o volume cresce, o controle manual trava — e é aí que faz diferença ter estoque integrado ao PDV com alerta de validade por cores, que é como o maxyPet trata isso: a venda baixa sozinha, a entrada vem do XML da nota, e o que está perto de vencer aparece antes de virar prejuízo. O sistema vai um passo além do alerta: dá pra configurar um desconto automático por faixa de dias restantes até o vencimento — a mesma lógica de "decidir cedo é mais barato" que vimos acima, só que o sistema aplica sozinho. Com a validade de cada produto informada, o PDV identifica o lote próximo do vencimento no momento da venda e já sugere o desconto daquela faixa pro operador — exatamente a hora certa de tentar vender o item antes que ele vire perda total. Mas a ordem importa mais que a ferramenta: sem curva ABC e sem ponto de pedido definido, sistema nenhum decide o que comprar por você.

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